Não me reconheço mais.
Nem menos.
Essa que me olha, refletida em mim, não sou eu.
Talvez seja apenas uma imagem, um auto-retrato, um sintoma...
estes olhos arregalados que me fitam,
frente ao espelho, em questionamento constante,
não me enxergam ou adivinham.
Não têm a chave do meu ser
ou do meu não-ser.
e se perdem na procura de algo em mim
que me traga de volta
ou que me arremesse ao conhecido que há em ti.
De mim, não há realidade
De ti, só sonhos
e nessa ilusão do querer ver o que há em mim
de redescobrir meu prumo, de seguir adiante
como quem cantarola uma velha canção,
saio como entrei:
com um sorriso irônico,
com meus óculos escuros
fecho a porta
e apago a luz
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